domingo, março 10, 2013

As primeiras editoras de livros de umbanda

(Edmar Arantes)

Dando de certa forma continuidade à postagem anterior, em que tratamos dos primeiros livros umbandistas, iremos nesta fornecer alguns lances a respeito das primeiras editoras que passaram a publicar regularmente títulos de umbanda, que foi o assunto que de fato nos levou à pesquisa ali apresentada.

Até o fim da década de 40 não havia ainda editora que publicasse regularmente tais títulos. Os que tinham sido lançados até então se enquadravam em três classes: publicações independentes, lançadas à custa do autor ou da tenda ou entidade à qual ele estivesse filiado; lançamentos pelo selo "Biblioteca Espiritualista Brasileira", e umas poucas exceções lançadas de fato por editoras (como a 3a. ed. de "Umbanda", obra de João de Freitas, e a 1a. ed. de "Trabalhos de Umbanda, ou Magia Prática", de Lourenço Braga, títulos lançados pela tradicional Editôra Moderna, do Rio de Janeiro). Foi somente em 1950 que uma empresa editorial resolveu abrir suas portas para autores de livros sobre umbanda e publicar regularmente títulos da área. Falamos da Gráfica Editôra Aurora Ltda., então dirigida por Ernesto Emanuele Mandarino e localizada à Rua Vinte de Abril, 16, Rio de Janeiro. O primeiro autor do ramo ali publicado foi, ao que tudo indica, Oliveira Magno.

É curioso observar que, talvez pelo preconceito ainda existente àquela época para com tais títulos, até 1953 o nome da editora não aparecia nem mesmo nos frontispícios de algumas das obras publicadas, e só vamos descobrir que a Gráf. Ed. Aurora, além de ter impresso os livros, também atuou como editora, através da leitura dos prefácios ou "post-fácios" destes.

Em 1954, a Aurora lançou a Coleção Espiritualista, que seria, quase toda, constituída de livros umbandistas. Vejamos a listagem dos livros desta coleção até seu número 19:

1 - "A Umbanda e seus Complexos" (Oliveira Magno, 3a. ed., 1954)
2 - "Magia Prática Sexual" (Oliveira Magno, 2a. ed., 1954)
3 - "Umbanda" (Florisbela M. de Sousa Franco, 2a. ed., 1954)
4 - "As Mirongas de Umbanda" (Byron Tôrres de Freitas e Tancredo da Silva Pinto, 1954)
5 - "Lições de Umbanda" (Samuel Pönze, 1954)
6 - "Práticas de Umbanda" (Oliveira Magno, 3a. ed., 1954)
7 - "Doutrina e Ritual de Umbanda" (Byron Tôrres de Freitas e Tancredo da Silva Pinto, 2a. ed., 1954)
8 - "Utilidades Astrológicas" (Oliveira Magno, 1954)
9 - "Lex Umbanda" (Ab'd 'Ruanda, 1954)
10 - "O Espiritismo no Conceito das Religiões e a Lei de Umbanda" (Aluizio Fontenelle, 2a. ed., 1954)
11 - "Banhos e Defumações na Umbanda" (Ab'd 'Ruanda, 1954)
12 - "Alquimia de Umbanda" (Silvio Pereira Maciel, 3a. ed. [1], ?)
13 - "Umbanda e Ocultismo" (Oliveira Magno, 2a. ed., ?)
14 - "Ritual Prático de Umbanda" (Oliveira Magno, 2a. ed., 1956)
15 - "A Umbanda Esotérica e Iniciática" (Oliveira Magno, 3a. ed., 1956)
16 - "Fôrças ocultas, luz e caridade" (J. Dias Sobrinho, 3a. ed., 1956)
17 - "Umbanda Mista" (Sylvio Pereira Maciel, 2a. ed., 1957)
18 - "Umbandismo" (Antônio Alves Teixeira "Neto", 1957)
19 - "Camba de Umbanda" (Byron Tôrres de Freitas e Tancredo da Silva Pinto, 1957)

Curiosamente, o n. 20 desta coleção ("A Umbanda Através dos Séculos", de Aluízio Fontenelle, 2a. ed., 1957) seria publicado por outra editora, a nascente Editôra Espiritualista Ltda., localizada à Rua Frei Caneca, 19, Rio de Janeiro, assim como pelo menos outros três: os números 24 ("Candomblé no Brasil", de José Ribeiro, 2a. ed., 1957), 25 ("Codificação da Lei de Umbanda - Parte científica e Parte prática", de Emanuel Zespo, 2a. ed., 1960) e 27 ("Orixás Africanos", de José Ribeiro, 1961) [2], o que mostra que a Ed. Espiritualista mantinha íntimas relações empresariais com a Gráf. Ed. Aurora. Além disso, a partir de 1958 a Ed. Espiritualista passou a republicar títulos da Coleção Espiritualista antes publicados pela Aurora, assim como algumas obras maçônicas e outras tidas como de ciências ocultas antes publicadas por essa editora ("A maçonaria e a grandeza do Brasil", "A mão e seus segredos", "Um pouco de astrologia", etc.). Em contrapartida, a Gráf. Ed. Aurora republicou pelo menos um título já editado pela Espiritualista: "A Umbanda Através dos Séculos" em sua 3a. ed. [3], de 1963. É interessante constatar também que este foi o último ano em que livros umbandistas saíram pela Aurora, assim como o último ano da gráfica-editora no endereço citado no início deste texto. A partir de 1964, curiosamente, a Gráf. Ed. Aurora passou a se localizar no mesmíssimo endereço da Ed. Espiritualista (farei uma ilação sobre isso ao fim deste texto). Esta última, a partir desse mesmo ano (e até o término de suas atividades [4]), seguiu com praticamente uma única concorrente no mercado editorial de livros umbandistas, sobre a qual falaremos a seguir.

Foi em 1963 que apareceram os primeiros títulos da nascente Editôra Eco [5]. Criada por Ernesto Mandarino (já citado acima), e dirigida por ele até pelo menos 1998, desde o seu início publicou títulos de umbanda, principal segmento da editora. Inicialmente localizada à Rua do Senado, 320 - Conj. 407 - Rio de Janeiro, GB, em meados de 1966 já vamos encontrá-la na Rua Marquês de Pombal, 172, Rio de Janeiro. (Este também passou a ser o endereço do recém-criado selo "Editôra Mandarino", que em 02/06/1972 ganharia o status de empresa como "Editora Mandarino Ltda." [6], razão social do nome-fantasia "Editora Eco" a partir de então e até 31/12/2008, quando foi baixada por inaptidão [7].)*

Sobre a "coincidência" entre o fim da publicação de títulos umbandistas pelo selo Aurora, a mudança de endereço da Gráf. Ed. Aurora para o da Ed. Espiritualista e o início das atividades da Ed. Eco, tudo ocorrido em meados de 1963, a ilação que faço é que a Ed. Espiritualista teria naquele ano comprado o parque gráfico da Gráf. Ed. Aurora e todos clichês de livros ali existentes. Nota: Ernesto Mandarino (que possivelmente ainda era diretor daquela gráfica-editora no início dos anos 60), tendo deixado a Aurora, continuou trabalhando com livros, mas apenas como editor, tendo fundado a Ed. Eco, como informado acima.

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1- Esta edição constou erroneamente como 2a. na capa da obra, mas a 2a. ed. verdadeira é de 1951.
2- Os números 21 ("Exu", de Aluízio Fontenelle, 3a. ed., 1957), 26 ("Umbanda para os médiuns", de Florisbela Maria de Souza, 1958) e 28 ("Do batuque e das origens da Umbanda", de Leopoldo Bettiol, 1963) foram publicados pela Gráf. Ed. Aurora.
3- A edição seguinte desta obra (4a., de 1971) foi publicada novamente pela Ed. Espiritualista.
4- Conforme pode ser constatado aqui, em 1998 ainda reeditava livros, mas a publicação de títulos exclusivamente umbandistas pela editora cessou em meados da década de 80 ou no início da década de 90. (Nota de 25.10.15)
5- Então Edições Eco. O nome Editôra Eco apareceria somente no ano seguinte, 1964, mas a "editora" continuaria sendo apenas um selo editorial, sem firma registrada, ainda por alguns anos.
6- Conforme http://empresasdobrasil.com/empresa/editora-mandarino-ltda-34026245000100.
7- Nota 1: Em um livro publicado em 1995 ("Sonata Cósmica") constou o endereço R. Marquês de Pombal, 171-B (não 172); em outros livros desse mesmo ano, porém, e nos livros dos anos seguintes, não constou qualquer forma de contato para com a editora. Nota 2: 1998 foi o último ano que a Eco lançou livros novos; a partir de 1999 todas as suas publicações foram reedições. Nota 3: Continuaram saindo livros sob o selo "Editora Eco" mesmo após a Ed. Mandarino Ltda. ter sido baixada.

(*) Trecho e notas modificados em 20.10.2015 

domingo, fevereiro 10, 2013

Os primeiros livros umbandistas

(Edmar Arantes)

Não sendo umbandista, mas interessado em saber as primeiras editoras que abriram suas portas a títulos da área, iniciei em fins de março de 2011 um levantamento sobre antigos livros de umbanda. No início de abril do mesmo ano, tendo adquirido História da Umbanda -- uma religião brasileira, livro de Alexandre Cumino publicado pela Ed. Madras em 2010 (doravante "Cumino, 2010"), e folheando algumas de suas páginas, notei que a grande maioria dos livros levantados já se encontrava citada ali, apesar de discrepâncias nas datas de publicação original de algumas obras, o que será explicitado adiante. No fim daquele mesmo mês de abril, ainda adquiri A Construção Histórica da Literatura Umbandista, livro de Diamantino Trindade publicado pela Ed. do Conhecimento em 2010 (doravante "Trindade, 2010"), que, sobre os primeiros anos da literatura umbandista, não trouxe nenhum novo autor além daqueles citados por Cumino. Depois disso, praticamente esqueci o assunto, e deixei o levantamento arquivado em meu computador pessoal. Fim do mês passado (jan/2013), entretanto, meu interesse foi novamente despertado para a questão, e continuei então o trabalho interrompido em abril de 2011, "finalizando-o" há alguns poucos dias (as aspas são propositais, pois trabalhos deste tipo nunca estão de fato fechados), e estou agora a apresentá-lo para os leitores que aqui aportarem.

Como ficará claro da listagem que será apresentada, diferentemente do que foi afirmado por [Trindade, 2010, p. 42], após o "Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda" (1941) a publicação de títulos umbandistas seguiu de forma acanhada, e somente a partir do início da década de 50 houve de fato uma "rápida proliferação de livros de escritores umbandistas".

A apresentação dos livros a seguir será dividida em 3 partes: "Os primeiros títulos (1925-1941)", "De 1942 a 1949" e "De 1950 a 1955". Consideramos como elemento divisor das duas primeiras partes o já referido "Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda", ocorrido no Rio de Janeiro em outubro de 1941. Já a separação entre os dois últimos períodos foi considerada levando-se em conta o ano (1950) em que foi iniciada a publicação de títulos dedicados exclusivamente à apresentação de uma umbanda esotérica e iniciática, devidos ao escritor Oliveira Magno. E consideramos 1955 como o fim do terceiro período porque em 1956(1) temos um verdadeiro divisor de águas no que diz respeito à literatura umbandista: o livro Umbanda de Todos Nós, de W. W. da Matta e Silva. A obra, publicada a expensas do autor naquele ano, foi uma verdadeira revolução no mundo literário umbandista.

Na listagem abaixo, dentro de um mesmo ano de publicação a sequência apresentada seguirá pela ordem alfabética do primeiro substantivo aparecido nos títulos, afora casos em que conhecemos a ordem cronológica real.

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Os primeiros títulos (1925-1941)

No Mundo dos Espíritos. LEAL DE SOUZA, Rio de Janeiro: Officinas Graphicas de "A Noite" (impressor), 1925. (Coletânea de artigos publicados pelo autor no jornal "A Noite" em 1924.) --- Nota: esta obra só foi aqui inserida por ter sido a primeira que se tem notícia que registrou o termo "umbanda", mas ela não é propriamente um livro umbandista.

O Espiritismo, a Magia e as Sete Linhas de Umbanda. LEAL DE SOUZA, Rio de Janeiro: Officinas Graphicas do Liceu de Artes e Oficios (impressor), 1933. (Compilação de crônicas publicadas no jornal "Diário de Notícias" em 1932.)

A Magia no Brasil. WALDEMAR L. BENTO, Rio de Janeiro: Oficinas Graficas do Jornal do Brasil (impressor), 1939.

Catecismo Espiritualista da Linha Branca de Umbanda. A. G. ANSELMO, Rio de Janeiro: Oficinas Graficas do Jornal do Commercio (impressor), 1940.

Umbanda em revista -- reportagens, entrevistas, commentarios. JOÃO DE FREITAS, [Rio de Janeiro]: s.ed.(2), 1941(3). --- Nota: em sua 2a. ed., publicada em 1942, e ainda de maneira independente, esta obra passou a se chamar Umbanda -- rituais, reportagens, entrevistas, comentários, etc. Já em sua 3a. ed., que não apresentou ano de saída, o livro foi publicado pela tradicional Editôra Moderna.
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De 1942 a 1949 (*)

Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda. VÁRIOS AUTORES. Rio de Janeiro: Oficinas Graficas do Jornal do Commercio (impressor), 1942. (Anais do Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda, ocorrido em outubro de 1941 no Rio de Janeiro.)

Umbanda (Magia Branca) e Quimbanda (Magia Negra). LOURENÇO BRAGA, Rio [de Janeiro]: Livraria Jacintho(4) (distribuidor), 1942. (Trabalho dito apresentado no Primeiro Congresso do Espiritismo de Umbanda mas não publicado na obra acima referida.)

O culto de Umbanda em face da Lei. Biblioteca Espiritualista de Umbanda. Rio de Janeiro: União Espiritualista Umbanda de Jesus -- UEUJ, 1944.

Os Mistérios da Magia (romance). LOURENÇO BRAGA, Rio de Janeiro: Asa Artes Gráficas (impressor), 1945(5).

Coleção Afro-Brasileira (Urubatão, deus da guerra; Aimoré, deus da caça; Iára, deusa do mar; Caramuru, deus do trovão -- livretes de 32 páginas cada). HERALDO MENESES, [Rio de Janeiro]: s. ed., 1946. --- Nota: mais tarde esta coleção foi republicada em volume único sob o título Caboclos na Umbanda.

Primeiras revelações de Umbanda. ORDEM DOS CAVALEIROS DA GRAN CRUZ, Escola Técnica de Curitiba (impressor), 1946.

Trabalhos de umbanda; ou, Magia Prática. LOURENÇO BRAGA, Rio de Janeiro: Editôra Moderna, 1946(6).

O que é a Umbanda?(7,8). EMANUEL ZESPO, [Porto Alegre: Livraria Olímpia?], [1946?].

Ritual de Umbanda. BENEDITO RAMOS DA SILVA, Rio de Janeiro, 1948.

Umbanda. Biblioteca Espiritualista Brasileira. FLORISBELA MARIA DE SOUZA FRANCO, Oficinas Graficas do Jornal do Commercio (impressor), 1949(9).

(*) As obras Pai José (romance) e Lei de Umbanda (romance), de EMANUEL ZESPO, também publicadas neste período, não foram alocadas acima por não termos conseguido encontrar o ano de seus lançamentos. ~ O compilador.

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De 1950 a 1955

Fôrças ocultas, luz e caridade. J. DIAS SOBRINHO, Rio de Janeiro: s.ed., 1950(10).

A Umbanda e seus complexos. OLIVEIRA MAGNO, Rio de Janeiro: s.ed., 1950.  --- Nota: a 3a. edição desta obra, publicada pela Gráf. Ed. Aurora em 1954, inaugurou a Coleção Espiritualista, lançada pela referida editora.

Alquimia de Umbanda. SILVIO PEREIRA MACIEL. Rio de Janeiro: s.ed.(11), 1950.

A Umbanda esotérica e iniciática. OLIVEIRA MAGNO, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora(12), 1950.

Codificação da Lei de Umbanda (Parte científica). EMANUEL ZESPO, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora, 1951(13).

Doutrina e Ritual de Umbanda. BYRON TORRES DE FREITAS & TANCREDO DA SILVA PINTO. Rio de Janeiro: s.ed.(14)1951.

O Espiritismo no conceito das religiões e a Lei de Umbanda. ALUIZIO FONTENELLE, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora, 1951.

Pratica de Umbanda. OLIVEIRA MAGNO, Rio de Janeiro: [Gráf. Ed. Aurora?], [1951?]. --- Nota: em sua 3a. ed., de 1954, este livro foi reeditado como Práticas de Umbanda e entrou como vol. 6 na Coleção Espiritualista, já mencionada acima.

Umbanda mista. SYLVIO PEREIRA MACIEL, Rio de Janeiro: s.ed.(15), 1951.

Evangelho de Umbanda: escrituras. O solitário da Academia Eclética Exotérica (YOKAANAM). Rio de Janeiro: Fraternidade Eclética Espiritualista Universal (FEEU), 1952(16).

Exu. ALUIZIO FONTENELLE, Rio de Janeiro: s.ed.(17), 1952(18).

Umbanda e Ocultismo. OLIVEIRA MAGNO, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora(19)1953(20).

Codificação da Lei de Umbanda (Parte prática). EMANUEL ZESPO, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora, 1953.

O Esoterismo de Umbanda, OSÓRIO CRUZ, Rio de Janeiro: s.ed., 1953.

A Nova Lei Espírita: Jesus, a Chave de Umbanda. MARIA TOLEDO PALMER, Rio de Janeiro: s.ed., 1953.

Ritual Prático de Umbanda. OLIVEIRA MAGNO, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora, 1953.

A Umbanda através dos séculos (póstumo). ALUIZIO FONTENELLE, Rio de Janeiro: Organização Simões(21), 1953(22).

Umbanda e Pais-de-Santo. CÉSAR CÂNDIDO DE LEMOS, Itatiaia, 1953.

Umbanda e seus Cânticos. JOÃO SEVERINO RAMOS, Rio de Janeiro: Tenda Espírita São Jorge, 1953.

Umbanda Sagrada e Divina. PAULO GOMES DE OLIVEIRA, Rio de Janeiro: Ed. Aurora, [1953?].

As Mirongas de Umbanda. Coleção Espiritualista n. 4. BYRON TORRES DE FREITAS & TANCREDO DA SILVA PINTO, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora, 1954(23).

Lições de Umbanda. Coleção Espiritualista n. 5. SAMUEL PÖNZE, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora(24), 1954.

Lex Umbanda (Catecismo). Coleção Espiritualista n. 9. AB'D 'RUANDA, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora, 1954. --- Nota: até sua 3a. ed., já publicada pela Ed. Espiritualista, esta obra permaneceu com o nome referido, mas em alguns exemplares dessa mesma edição, e nas edições seguintes, passou a ter como título Catecismo de Umbanda (Lex Umbanda).

Banhos e defumações na Umbanda. Coleção Espiritualista n. 11. AB'D 'RUANDA, Rio de Janeiro: Gráf. Ed. Aurora, 1954.

No limiar de Umbanda. Vol. 4 da Biblioteca de Umbanda. ZINA SILVA, Rio de Janeiro: Organização Simões, 1954.

A Umbanda perante a crítica. LEOPOLDO BETTIOL, Porto Alegre: Livraria Olímpia, 1954.

As impressionantes cerimônias da Umbanda. BYRON TORRES DE FREITAS & TANCREDO DA SILVA PINTO, Rio de Janeiro: Editôra Souza, 1955.

Xangô Djacutá. JOÃO DE FREITAS, Rio de Janeiro: Editôra Souza, 1955(25).

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(Caso você, leitor, queira transcrever a listagem acima apresentada, por favor, cite a fonte. Levantamento bibliográfico também é pesquisa.)

Conclusão: como pode ser constatado do exposto, a principal editora que impulsionou as publicações de umbanda na primeira metade da década de 50 foi a Ed. Aurora, que sequer foi mencionada dentre aquelas alocadas na nota de rodapé 166 (pág. 220) de [Cumino, 2010]! Além disso, duas das editoras ali citadas (Ed. Espiritualista e Ed. Eco) nem mesmo existiam até 1955... Do que sabemos, a primeira -- responsável pela continuação do lançamento dos títulos da Coleção Espiritualista a partir de meados de 1957, oscilando com a Ed. Aurora na publicação de tais títulos a partir de então -- surgiu neste ano, e a Ed. Eco -- responsável pela publicação de importantes obras como Umbanda dos Pretos Velhos, de Antônio Alves Teixeira Neto, em 1965(26); Umbanda de Caboclos, de Decelso, em 1967(27); Okê Caboclo!, de Benjamin Figueiredo, em 1968(28), e O que é a umbanda, de Cavalcanti Bandeira, em 1970(29) --, por volta de 1963.

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1- Cumino, em História da Umbanda, também utiliza o referido ano como um divisor de águas para a literatura umbandista, mas, curiosamente, limita-se a dizer que "[a] partir de 1956, fica mais evidente uma segunda geração de autores que trabalham com bibliografia fundamentada em títulos de Umbanda; no entanto, as teorias da primeira geração vão aparecer nessas obras sem citação regular ou créditos autorais" [Cumino, 2010, p. 271]... Será que este proceder foi honesto? Não nos parece. Aliás, Matta e Silva não é mencionado uma única vez no livro! Nem mesmo quando o autor trata de citar "alguns autores umbandistas dedicados e de primeira linha nessa segunda geração" [ibid.], o que mostra que Cumino não considera Matta e Silva um autor dedicado e de primeira linha... Bem, se assim é, esperamos, por questão de simples honestidade intelectual -- virtude essencial para todos que se metam a fazer trabalhos históricos --, que numa próxima edição de História da Umbanda, caso houver, o autor trate de dizer com todas as letras o que pensa sobre Matta e Silva, ainda que sob a forma de ácida crítica. O que não caiu nada bem, a nosso ver, foi essa singular omissão de um autor tão considerado por certa linha de umbandistas. (voltar)
2- [Trindade, 2010, pp. 42 e 264] apresenta erroneamente a Ed. Espiritualista -- que nem existia em 1941! -- como a responsável pela publicação deste livro. (voltar)
3- [Cumino, 2010] apresenta ora 1938 (p. 94), ora 1939 (p. 225), como ano de lançamento deste livro. (voltar)
4- [Trindade, 2010, pp. 47 e 263] apresenta erroneamente uma tal editora São José como a responsável pela publicação desta obra. Na pág. 47 também está dito que Lourenço Braga "não havia compreendido que a umbanda era uma religião autônoma e não fazia parte do espiritismo" e que o autor teria afirmado, no livro, que a "umbanda tornou-se conhecida no Brasil através da colonização africana", ignorando que a umbanda é uma religião brasileira. Sobre o primeiro ponto, a questão é outra. O fato é que Braga nem mesmo associou o conceito de religião à palavra "umbanda", preferindo defini-la, ora como "magia branca", ora como uma "organização espiritual". Sobre o segundo ponto, vale dizer que a transcrição não foi feita corretamente. O que Lourenço Braga disse foi o seguinte: "Umbanda" tornou-se conhecida no Brasil através da colonização africana. Sua significação era a seguinte: -- fazer magia, por intermedio das forças invisiveis [...] (Umbanda e Quimbanda, 1942, p. 21). Ou seja, claro está que Braga referia-se à palavra "umbanda", não à religião umbanda, mesmo porque, conforme já dissemos, no livro o autor não utiliza a palavra "umbanda" para designar uma religião. (voltar)
5- [Cumino, 2010, p. 229] apresenta 1953. (voltar)
6- [Cumino, 2010, p. 229] e [Trindade, 2010, pp. 48 e 263] apresentam 1950. (voltar)
7Ao contrário do que consta em [Cumino, 2010, p. 111], em 1946 esta obra ainda não fazia parte da Biblioteca Espiritualista Brasileira, o que só passou a ocorrer a partir de sua 2a. ed., em 1949. (volta) 
8- Em [Trindade, 2010, p. 70] faltou informar que a descrição do livro ali corresponde à 3a. edição da obra. Na mesma página é afirmado que o livro não trouxe nenhuma importante novidade "em relação ao que já havia sido escrito anteriormente", mas, até onde sei, ele foi pioneiro em que registrar a ideia da umbanda como a "Quarta Revelação", e isto é uma importante "novidade", não?... (voltar)
9- [Cumino, 2010, p. 266] registra o ano 1953. (voltar)
10- [Cumino, 2010, p. 234] registra o ano 1949. (voltar)
11- [Trindade, 2010, pp. 55 e 265] registra Ed. Espiritualista... (voltar)
12- [Trindade, 2010, pp. 51 e 265] registra Ed. Espiritualista... (voltar)
13- [Cumino, 2010, p. 232] não menciona que este volume de Codificação da Lei de Umbanda foi publicado em 1951. (voltar)
14- [Cumino, 2010, pp. 54 e 398] e [Trindade, 2010, pp. 66 e 266] citam Ed. Espiritualista... (voltar)
15- [Trindade, 2010, p. 55] registra Ed. Espiritualista... (voltar)
16- [Cumino, 2010, p. 264] registra 1951... (voltar)
17- [Trindade, 2010, pp. 60 e 264] registra Ed. Espiritualista... (voltar)
18Ibid. registra 1951... (voltar)
19- [Trindade, 2010, pp. 52 e 265] registra Ed. Espiritualista... (voltar)
20- [Cumino, 2010, p. 239] e [Trindade, 2010, pp. 52 e 265] registram 1952, que na verdade é o ano do prefácio da obra. (voltar)
21- [Trindade, 2010, pp. 58 e 264] registra Ed. Espiritualista... (voltar)
22- Ibid. registra 1950... (voltar)
23- [Cumino, 2010, p. 251] registra 1953, que é apenas um ano citado no prefácio da obra. (voltar)
24- [Trindade, 2010, pp. 74 e 266] registra Ed. Espiritualista... (voltar)
25- [Cumino, 2010, p. 225] registra década de 40... (voltar)
26- Não conseguimos verificar a informação constante em [Trindade, 2010, pp. 88 e 265] de que esta obra teria sido publicada antes, mas neste mesmo ano, pela Ed. Espiritualista. (voltar)
27- Em [Trindade, 2010, pp. 114 e 264] consta 1972... (voltar)
28- Em [Trindade, 2010, p. 86] consta 1961... (voltar)
29- Em [Trindade, 2010, pp. 134 e 263] consta 1973... (voltar)